A bola de fogo

Esse causo nos traz novamente uma história daquela fazenda do interior de São Paulo. Lá, por vezes, alguns moradores ficavam durante a noite parados em algum canto dos diversos terreiros que a fazenda tinha.

Bom, nesse lugar ficavam esses moradores da fazenda, papeando, conversando sobre as coisas do dia a dia, brincando, rindo, enfim, fazendo o que se faz numa roda com amigos quando a tranquilidade de uma vida no campo proporciona.

Mas alguma coisa acontecia com certa constância quando esse pessoal estava a conversar. Era algo que os deixava bem… como posso colocar… os deixava encafifados, cismados, enfim, qualquer desse adjetivos que remetem a estranhezas.

Alguns ficavam com medo, pensavam “será que se trata de alguma coisa sobrenatural? Talvez fosse a mula-sem-cabeça. Ou o Boitatá”. Quem sabe o que poderia ser uma bola de fogo se mexendo no ar, ao longe, pra lá das árvores? Era no mínimo bem estranho.

Enfim, passavam-se dias em que a contação de causos entre os moradores da fazenda não era acompanhada por nenhuma luz ao fundo. Mas tinha vezes que ela aparecia, subia, fazia uma curva, e desaparecia misteriosamente.

O que era mais curioso pra eles é que isso ocorria sempre no mesmo lugar, sempre fazendo o mesmo estranho movimento atrás das árvores… Qualquer coisa que fosse, parecia gostar muito daquele lugar.

Passados muitos anos, um rapaz que na época da bola de fogo era um jovenzinho morador da fazenda e que já não morava mais nas redondezas, voltou ao seu lugar de infância para passear e rever alguns familiares. Ele decidiu ir para uma outra cidade que tinha próxima a fazenda.

Bom, na rodovia à caminho dessa cidade vizinha tinha uma subida longa e ao longo dela uma grande curva. Pois bem, esse jovem, já não mais tão jovem, estava subindo com seu carro à noite, com as lanternas acessas. Ao fazer a curva percebeu que carros que passavam ali, com seus faróis ligados ao longe, pareciam a tal bola de fogo que há anos foi avistada. Eles faziam o mesmo movimento.

Aí, está! Pensou ele. A tal bola de fogo eram os carros, com suas lanternas acesas que às vezes passavam por aquela curva que durante a noite era avistada da fazenda.

Você pode estar achando um pouco óbvia a constatação ou bobo o engano. Devo salientar, caro/a leitor/a, que na época em que os moradores viam essa tal bola de fogo, havia poucos carros viajando entre as cidades. Havia poucos carros, de modo geral. Os tempos eram outros e, portanto, os moradores não se atentaram a essa possibilidade.

Esse jovem não tão jovem mais, enfim, descobriu o que tanto deixava os moradores da fazenda cismados, mas não morava mais por lá, então não pôde dividir com todos os outros a sua bela descoberta.

Texto por Edinei de Oliveira .

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