Essa é uma história daquelas da vida cotidiana e das pequenas belezas que ela tem.

Já fazia um certo tempo que a gente queria ter um cachorrinho em casa. Volta e meia a gente se pegava olhando vídeo, fotografia, tudo quanto era coisa de cachorrinho correndo, comendo, dormindo, fazendo careta. Mas a vontade sempre esbarrava no receio e na responsabilidade que ter um animalzinho traria. Pois bem, até que um par de olhinhos mudou isso tudo.

Recebemos a (maravilhosa) indicação de uma amiga sobre filhotinhos para adoção. No anúncio, afirmava que eles eram meio vira-lata, meio pinscher. A ideia do tamanho pequenino nos chamou a atenção. Então, com um pouco mais de entusiasmo do que medo naquele dia, entramos em contato para adotar uma cachorrinha.

Na foto, ela era um cisco. Pequena que só. Com pelo branco e umas manchinhas pretas. Arrumamos carona com um amigo e fui buscar a boniteza. Estava preocupada porque o tutor havia dito que a mãe tinha abandonado os filhotes, que ela já estava comendo ração com menos de trinta dias de idade, queria vê-la logo.

Chegando lá, o encontro não foi bem como o idealizado. A cachorrinha que tinha escolhido não estava mais lá, o tutor não sabia dizer se tinha doado ou se tinha morrido. Me ofereceu outra no lugar. Quando ele virou as costas, pensei “pronto, não quero mais, nenhuma vai ser linda como ela”. Caí do cavalo em cinco segundos. 

Quando olhei pra aquele bichinho todo torto, com a pança roliça e olhinhos remelentos virados pra mim, eu só percebi que abaixei e peguei ela de uma vez. Era uma coisinha tão fofa, suja e pequena, que eu não consigo descrever a sensação, mas sinto ela toda vez que conto essa história.

Antes mesmo de chegar em casa, percebi que a pança não era sinal de saúde. Tinha muitas pulgas e carrapatos, mal ficava em pé sustentando seu peso. Com muito amor e paciência oferecemos água e ração. Tiramos aos poucos os bichinhos com uma pinça, oferecemos mamão pra barriguinha funcionar. Ela ainda não parecia bem. Tremia muito, e olha que nem frio estava.

Até que um de nós teve uma ideia. Pegou uma meia velha, bem coloridinha, cortou as pontas e fez o furo pros bracinhos. Vestimos nela. Parecia uma pelúcia de pijama, com a meia enrolando na barriga de tão inchada que ela tava.

Aos poucos ela foi acalmando os tremores. Aceitou água. Conseguiu se levantar. Imagine a alegria de dois adultos vendo um bichinho minúsculo sustentando o peso pela primeira vez. Ela nos adotou naquele dia. E adotou as meias também.

Até certa idade, ela ainda vestia meias. Seria o look ideal, já que o pai era um pinscher… doce engano. Cá estamos, 15kg e uns 40cm maior, com uma cachorra adulta com espírito de filhote, que não pode ver uma meia dando sopa que já corre pegar pra chamar para brincar. Lembro exatamente o que senti naquele dia. Ela, acho que de alguma forma, lembra também.

Texto por Karina de Camargo e Edinei Oliveira Filho

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