O Caixote

Bom, esse causo não vai ser de tempos mais antigos, vai na verdade, ser só um pouco atrás, uns 7 anos. Puxa, na verdade já faz um tempo!

Uma época mais cheia de esperança, talvez. Uma esperança de jovens recém ingressantes na universidade pública, que saíram de um mesmo cursinho popular, foram para a mesma cidade começar sua vida acadêmica.

Decidiram, esses amigos, alugar uma pequena casa, com um gramado e um belo pé de limão para morar. Como são difíceis os trâmites para alugar uma residência! Deu um trabalho enorme com documentações e tudo mais junto à imobiliária. Mas enfim, conseguiram alugar sua casinha, iria ser ótimo aquele lugar! Gramadinho verde, pé de limão, cadeira de praia na calçada…

Parecia que estava tudo ótimo, nova casa, tudo certo, mudança no caminhão, contrato em mãos, mas…

Ao chegar na casa, outra família tinha também alugado. Metade da mudança já estava lá dentro até. Todo mundo pensou “e agora?”.

Não puderam morar lá. A imobiliária escolhida, aparentemente, fez várias coisas erradas naqueles trâmites complicados, a dona da casa também alugou para duas pessoas ao mesmo tempo. Depois de muito reboliço, outra imobiliária entrando na cena, ajeitaram uma outra casa pra esses jovens.

Uma casa pequena, muito diferente da que tinha escolhido. Ela era peculiar, para falar bem a verdade, parecia um caixote. As paredes eram finas, a arquitetura retangular, acabamento esquisito. Tinha três quartos meio pequenos, localização mais do que excelente, perto de mercado, rodoviária, tudo. Mas isso não retirava sua estranheza. Ao pisar na sala tremia um pouco da casa toda, ela tinha nos fundos uns pilares bem finos que a seguravam, uns canos ao ar livre, um tranca bem singular na porta da frente, tipo uma gambiarra com um barra de ferro que se alguém tentasse chutar iria quebrar a perna. O acessório engenhoso tentava dar segurança pra uma porta que na verdade era de usar dentro de casa, dessas que parecem dois papelões ocos colados em volta de uns pauzinhos.

Importante dizer, que ao lado da cozinha, bem no fundo da casa, tinha a lavanderia. Modéstia chamar de lavanderia, era um corredor que sobrou, bem pequeno, onde colocaram um tanque. Esse pessoal instalou lá a sua máquina de lavar.

No primeiro dia na casa, limparam toda ela – estava abandonada, destinada à demolição. Os móveis foram colocados no lugar, teve uma pizza na janta (que merece um causo à parte), o mato que crescia na calçada foi arrancado, dando uma lustrada, o caixotinho até criou vida e cor.

No outro dia, bem cedo, lá pelas 7 da manhã de um domingo, todos acordaram. Colocaram algumas coisas na máquina para lavar e se juntaram à mesa do novo espaço pra compartilhar. Hora do café da manhã!

 Tudo estava muito bonito, toalha nova na mesa arrumadinha. Várias coisas gostosas para comer, bolinhos recheados (que adoro), pão, requeijão, um ótimo café (barato, porém gostoso) que foi apreciado na maior paz que poderia existir.

Depois de um bom tempo sentados à mesa, chinelos apareceram do nada na sala a boiar.

“Se perguntaram, que coisa estranha, oque será que está acontecendo?”

“Será que deu algum problema no encanamento? Está vertendo água do chão?”

Lembra da lavanderia no corredorzinho? Pois bem, ela ficava no final da casa. Depois tinha a cozinha, passava por um corredor com o banheiro, os três quartos até chegar na sala. O tanque no qual foi instalado a máquina de lavar estava com a tampa que não deixava escoar…

O tanque encheu, transbordou. Encheu de água na cozinha, que não era muito pequena. Depois encheu o banheiro. Passou por todo o corredor. Encheu a sala toda até chegar nos jovens que tomavam seu tranquilo café da manhã depois de um dia anterior cheio de desventuras. Por algum motivo o caixote era meio torto para um lado, o que fez com que toda a água se acumulasse nos cômodos até chegar no final da sala onde eles estavam.

Imagine o susto de colocar os pés no chão e sentir como se estivesse dentro de uma bacia cheia d’água? O dia que era pra descanso pós mudança foi todo utilizado para aproveitar toda a água desperdiçada dando uma caprichada extra na faxina.

Já adianto que o caixotinho tem causo até demais da conta pra gente prosear, viu?!

Texto por Edinei de Oliveira e Karina de Camargo.

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